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Dia das Mães: como tudo começou? 

Comemorado em diferentes datas ao redor do planeta, a data teve seu sentido alterado com o tempo, para frustração de sua idealizadora

08/05/2022 às 16h36 Atualizada em 08/05/2022 às 17h20
Por: Iamara Caroline
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Criada para homenagem uma grande mulher, o dia das mães ganhou apelos comerciais. Entenda. Foto: Unsplash

Considerada a segunda melhor data para o comércio, atrás apenas do Natal, o Dia das Mães nunca teve a intenção de aquecer vendas. Sua idealizadora, a americana Anna Jarvis, queria homenagear sua mãe, a ativista Ann Reever Jarvis, falecida em 1905. 

Ann Jarvis era uma mulher engajada nas causas sociais. Na década de 1850 fundou o clube de trabalho das mães, com o intuito de combater as altas taxas de mortalidade infantil. 

De acordo com a BBC, as mortes eram causadas por doenças recorrentes em sua comunidade, em Grafton, West Virginia. Lá, as mães recebiam instruções sobre higiene e demais cuidados, a fim de combater a morte de seus filhos. 

Era comum famílias terem muitas crianças e boa parte delas não chegarem até a fase adulta. Isso porque, na época, doenças, como febre tifóide e cólera, afetaram locais insalubres. 

Ann Jarvis dedicou-se totalmente ao trabalho social e à caridade, sobretudo durante a violenta Guerra da Secessão. Durante a Guerra Civil Americana, ela ajudou a socorrer soldados que lutavam dos dois lados do conflito. Forneceu alimentos para quem os necessitava e auxiliou no tratamento de doenças.

A homenagem

Com o falecimento de sua mãe, Anna Jarvis ficou arrasada e pensou no segundo domingo de maio, pois a data sempre cairia próximo a 9 de maio, aniversário de morte de sua mãe.  A ideia inicial era também fazer os filhos homenagearem suas próprias mães, como aquela pessoa lhes dedicou a vida. E com a intenção de homenagear sua falecida mãe e reconhecer e valorizar o papel da maternidade na sociedade americana, a data começou.  

Ann Marie Reeves Jarvis (esquerda) e sua filha Anna Marie Jarvis (direita)
Foto: Reprodução

Sua criação oficial no calendário americano aconteceu em 1914, por meio do presidente norte-americano Woodrow Wilson. Mas, nos anos 20, a comemoração já havia passado de uma singela homenagem, iniciada no seio da Igreja Metodista, para uma data basicamente comercial. 

Para desgosto de Anna, os floristas e fabricantes de cartões começaram a estimular o comércio nessa data. É justamente o comércio o responsável pelo sucesso na aderência a data. Apesar disso, Anna ameaçava processar quem tentasse lucrar com sua invenção. 

 

 

O Arrependimento

Floristas aumentavam o valor dos cravos próximo da data. O nome originalmente usado por Anna, foi "Dia da Mãe". Entre as investidas do comércio para burlar os protestos e boicotes da idealizadora, além de questões judiciais, a frase mudou para como conhecemos hoje, no plural, "Dia das Mães''.

Segundo a historiadora Katharine Antolini, em entrevista à BBC, Anna condenava qualquer tipo de apropriação do Dia da Mãe que fosse diferente do significado que ela pensou originalmente. Para ela, até mesmo arrecadar dinheiro para mães pobres, como algumas instituições de caridade faziam, ia contra o ideal da data.

“Era um dia para celebrar as mães, não de ter pena delas porque eram pobres”, contou Antolini ao jornal britânico. “Além disso, algumas instituições de caridade não estavam usando o dinheiro para mães pobres, como diziam.”

Ela não queria mulheres lembradas por sua pobreza, mas por toda a diferença que faziam na vida dos que estavam sob seus cuidados.

Inspirada pelo sacrifício de sua própria mãe, considerada a matriarca de toda uma comunidade, em constante doação ao próximo, Anna Jarvis não se conformava com o rumo de sua criação.  A  data era usada para venda de doces, flores e até eletrodomésticos como batedeiras e outras parafernalhas culinárias e ligadas ao serviço doméstico. 

O uso de cartões prontos também era outra questão. Na visão de Anna, o Dia da Mãe perfeito seria visitar a mãe ou enviar uma longa carta.  “Enviar um cartão pronto meloso e insincero só significa que você é muito preguiçoso para escrever para a mulher que fez mais por você do que qualquer outra pessoa no mundo”, ela escreveu. “Qualquer mãe preferiria uma linha do pior rabisco do seu filho do que um cartão chique.”

Em respeito a Ann e Anna, sua família passou gerações sem comemorar a data.

 

A data no Brasil

No Brasil, o primeiro Dia das Mães foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. 

Getúlio Vargas, então presidente, oficializou no país o segundo domingo de maio como Dia das Mães, somente em 1932. O decreto que a oficializou foi o de nº 21.366, assinado em 5 de maio de 1932.

Inclusive esse ano foi marcado por diversos episódios históricos. Vargas era populista e após a Revolução Paulista de 1932, atendeu aos apelos por uma constituição, o voto feminino e a carteira de trabalho (CLT). 

Em 1947, a data do Dia das Mães passou a ser incluída no calendário oficial da Igreja Católica no Brasil.

 

Dia das Mães nos próximos anos

Dia das Mães no Brasil é comemorado anualmente no segundo domingo de maio. Portanto é uma data móvel, variando ano a ano. Confira quando cairá o Dia das Mães nos próximos três anos:

  • Dia das Mães 2023 - 14 de maio de 2023
  • Dia das Mães 2024 - 12 de maio de 2024
  • Dia das Mães 2025 - 11 de maio de 2025

 

A data ao redor do mundo: 

Países como Brasil, EUA, Alemanha, Canadá, Finlândia, Gana, Gabão, Islândia, Paquistão e Nova Zelândia seguem a tradição americana. Nem todos os países comemoram a data no segundo domingo de maio. A Eslovênia comemora a data em 25 de março. México, Guatemala e El Salvador fixaram a data 10 de maio. A Argentina comemora no terceiro domingo de outubro e a Rússia no último domingo de novembro

 

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Iamara Caroline
Iamara Caroline
Sobre Em um caso de amor pelo jornalismo desde sempre e para sempre. Finalizando o curso pela Unicsul. Escritora nas horas vagas, entusiasta de diferentes idiomas e leitora voraz. Colaboro no Oeste360, F!5, Labdicas Jornalismo, além de outros veículos. Apesar da intimidade com a escrita, também gosto da televisão. Em constante evolução, tenho fé no ser humano, na vida e na educação como agente transformador.
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